A INCIDÊNCIA DA SURDEZ
ECONOMIA E SURDEZ
SURDEZ E O MUNDO ANIMAL
SURDEZ E O TRÂNSITO
SURDEZ E TECNOLOGIA
SURDEZ E O CINEMA
SURDOS FAMOSOS E PERSONALIDADES
QUE ABORDARAM O TEMA
A INCIDÊNCIA DA SURDEZ
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 10% da população mundial tem algum déficit auditivo. Desde um déficit leve até a surdez total. Quanto à surdez severa e profunda, que desabilita a pessoa de uma vida normal, isso varia muito de país para país. Nos países desenvolvidos 1 a cada 1000 indivíduos é afetado, em países subdesenvolvidos este número pode chegar a 4 em cada 1000 habitantes. No Brasil estima-se que 15 milhões de pessoas tem algum tipo de perda auditiva e 350 mil nada ouvem. Esta diferença depende de muitas coisas: Hábitos (viver em grandes cidades barulhentas); incidência de doenças infecciosas que levam à surdez, como a rubéola, meningite, sarampo e outras. No Brasil 18% das crianças nascem surdas devido à rubéola na gravidez. Esta causa está em primeiro lugar e poderia estar praticamente abolida com campanhas de vacinação eficazes. A meningite é endêmica no Brasil, outras viroses vacináveis também. Vender remédios sem prescrição médica também colabora, pois alguns remédios são tóxicos para o ouvido e causam surdez. No Brasil se compra facilmente quase todos os remédios em farmácias sem controle. Tratamento com aparelhos de audição sem orientação médica. No Brasil há propaganda e venda direta de aparelhos ao consumidor sem prescrição médica, fazendo com que muitas doenças pudessem ter seu curso interrompido pelo médico, se consultado antes de usar um aparelho. Existem povos mais afetos à surdez. A incidência de surdez é maior na raça branca do que na negra. A incidência de otospongiose (doença congênita que provoca surdez em indivíduos jovens) é muito maior na Índia e muito rara no Japão e África negra. A desnutrição, os casamentos consangüíneos em alguns povos fazem com que aumente substancialmente a incidência de surdos. Em países frios a incidência de otite é maior. E existe a otite secretora que é um catarro crônico no ouvido de crianças em idade escolar de alfabetização que leva a uma queda auditiva que por vezes é imperceptível e a criança é rotulada de ter problemas psicológicos e deficiência de aprendizado, quando o problema é surdez.
ECONOMIA E SURDEZ
Uma pessoa surda representa um grave ônus para a sociedade, uma vez que não podendo aprender e se comunicar ela sempre ficará na dependência de alguém. No Brasil pouco se faz com relação ao surdo. A família tem que acabar arcando com as despesas de seus familiares com problemas de audição. Temos um contingente de pessoas surdas muito maior em incidência na população do que em países avançados, devido à maior incidência de doenças que causam surdez e menor prevenção. A pessoa surda no Brasil tem poucas chances de se reabilitar, se não tiver possibilidade econômica de arcar com um caro processo de tratamento e reabilitação. Para se ter uma idéia nos Estados Unidos se gasta em torno de 3 bilhões de dólares anuais em tratamento de surdos. Além do tratamento em si, estas pessoas vão onerar o sistema previdenciário, uma vez que em não podendo trabalhar, receberão pensão. Aparelhos auditivos têm um custo alto para o governo. Além disso, o surdo muitas vezes é tido como um incômodo para a sociedade, ninguém tem paciência com ele, que acaba ficando relegado à um isolamento total, pois não participa das coisas que estão acontecendo e pela dificuldade de comunicar-se com eles as pessoas preferem ignorá-lo. É o que ocorre também com as pessoas de idade, que normalmente já são marginalizadas e que pela surdez ficam mais e mais isoladas. O cego tem uma deficiência visível e alem de poder se comunicar, pois ouve e fala, todos o ajudam por ver sua deficiência. O surdo tem uma deficiência invisível, e todos perdem a paciência com ele pois não perceber sua deficiência. Isto faz com que ele se isole em si mesmo desenvolvendo em conseqüência neuroses como medo em ficar sozinho, em sentar de costas para os lugares. Não conseguem se concentrar por longo tempo nas coisas e normalmente não conseguem bom desempenho no trabalho, sendo portanto marginalizados pela sociedade. O cego pode ouvir e explicar as coisas, o surdo não pode nem ouvir nem explicar as coisas em seu trabalho. Ele fica extremamente introvertido.
SURDEZ E O MUNDO ANIMAL
Os animais dependem diretamente da audição. Não é possível em vida selvagem sobreviver sem audição. Devido as condições do meio em que os animais vivem, florestas e escuridão a visão não é tão importante para a sobrevivência dos animais. É com o ouvido que eles se defendem e que os mantém alerta. Os animais igualmente, naturalmente se protegem dos barulhos, pelo stress que causa. Não se encontra mamíferos habitando próximo à grandes quedas de água, por vários motivos, stress e o mascaramento do barulho da queda de água faz com que não possa escutar ruídos que se aproximem. Os animais de modo geral tem audição mais aguçada que os homens, principalmente no que diz respeito às freqüências sonoras. Cães escutam freqüências que o homem não escuta. Os peixes igualmente necessitam da audição. O meio líquido transmite as vibrações muito bem e serve como proteção.
SURDEZ E O TRÂNSITO
Como todos os dados referentes a deficientes, os dados referentes a acidentes automobilísticos com deficientes auditivos também são irrelevantes. De uma maneira geral, os deficientes auditivos são submetidos a uma avaliação otoneurológica para afastar transtornos do equilíbrio apenas. Os deficientes auditivos devem ter sua atenção visual redobrada e isto constitui a sua principal compensação uma vez que nossa cultura do tráfego se baseia principalmente na visão. Os deficientes auditivos profundos apresentam uma perda mais importante que os motoristas com walkman poderiam simular, mas quase sempre com uma atenção redobrada.
SURDEZ E TECNOLOGIA
Os portadores de surdez parcial que não puderem ser resolvidas com tratamento clínico ou cirurgia, poderão usar aparelhos de audição para corrigir o problema. É como usar óculos. O aparelho de audição convencional é composto basicamente de um microfone, um amplificador e um alto falante. Para usá-lo a pessoa deverá ter um mínimo de audição, pois não adiantam em pessoas que nada ouvem. O primeiro aparelho de audição que se usou era parecido com uma corneta que a pessoa encostava no ouvido e servia para amplificar o som como quando se coloca a mão em forma de concha ao lado da orelha. Foi Alexander Gran Bell, o inventor do telefone que fez o primeiro aparelho eletrônico de amplificação de som para a surdez, pois sua esposa ficou surda. Dali para cá houve um desenvolvimento tecnológico enorme e os aparelhos modernos apresentam além do microfone, amplificador e auto-falante, filtros que podem ser regulados para aumentar as freqüências mais necessárias para cada tipo de perda, uma vez que em termos de aparelho de audição existe um estigma muito grande e a pessoa não quer mais mostrar que está usando. Atualmente os aparelhos são quase que imperceptíveis. Os aparelhos modernos tem uma tecnologia digital que permite um som quase perfeito. Além disso, está se trabalhando em implantar cirurgicamente os aparelhos para que os mesmos não apareçam. Para a surdez total existe agora o implante coclear que é um microship que se implanta no ouvido para fazer com que a pessoa escute através da estimulação direta do nervo auditivo, gerando uma nova "linguagem" sonora que a pessoa tem que aprender.
SURDEZ E O CINEMA
Muitos filmes foram produzidos para mostrar o drama da surdez: Filhos do Silêncio, No silêncio do Amor, Lagrimas do Silêncio, Gestos de Amor, Jonas, Tortura Perigosa, Mr. Holland - Meu Professor Adorável, O Milagre de Anne Sullivan.
SURDOS FAMOSOS E PERSONALIDADES QUE ABORDARAM O TEMA
É provável que os surdos na antigüidade se valessem de cornos ou trompas como meio de amplificação sonora, pois a literatura é rica em citações neste sentido, não apenas no sentido de ouvir animais durante a caça como na percepção da presença dos inimigos em guerras. Também é descrita desde 1650 a "elipse ótica", espécie de tubo elíptico com função de amplificar o som. No século XVIII, vários utensílios usados em cartolas, pentes espanhóis (com enfeite em forma de concha) e tiaras foram utilizados com o intuito de amplificar o som. Outra forma interessante de amplificação sonora é descrita por Harrisson Curtis em 1841, como uma poltrona com espaldar alto, com sistema de tubos amplificadores, onde os nobres surdos encostavam a orelha para ouvir melhor.
SWIFT, Jonathan (1667-1745), irlandês, religioso e político influente, autor de Gulliver, obra que divertiu e continua interessando gerações e gerações, apresentava uma surdez gradativa, que veio a se tornar profunda, por evolução de uma provável hoje conhecida Doença de Mènière, foi também autor de obras que mostravam uma grande animosidade em relação ao gênero humano.
REYNOLDS, Joshua (1723-1792) pintor inglês, com formação veneziana pintou o "Auto-retrato de um homem surdo", representando-se com os olhos atentos e a mão em concha junto à orelha esquerda.
GOYA, Francisco José de, um dos três maiores mestres da pintura espanhola, nascido em Saragoça em 1746, ficou surdo em 1792 após uma provável virose que atacou-lhe além da audição a visão (a qual recuperou). É importante ressaltar-se sua nítida mudança de estilo após a surdez, para o realismo, e para a maioria dos críticos para o realismo sombrio, chegando ao macabro, segundo Sir Terence.
BEETHOVEN, Ludwig Van, nascido em 1770 em Bonn, aos 31 anos sente aparecerem os primeiros sinais de uma surdez, que viria a tornar-se profunda. Neste período utilizava-se de um instrumento em madeira colocado entre seus dentes e o piano para compor, valendo-se da vibração deste tipo de "dentafone" que havia sido descrito já em 1860.
Outro mestre da música, Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791) apresentava uma malformação da orelha externa, com aspecto arredondado (não alongado como é o de uma orelha normal) além de uma saliência que partia do antitragus atravessando a concha, o que pelo que se sabe em nada atrapalhava sua audição.
VAN GOGH, Vincent (1853-1890), pintor holandês cujo reconhecimento veio somente após sua morte, além de sintomas de psicopatia (esquizofrenia), apresentava zumbidos que inclusive o levaram a auto-mutilação com amputação de sua orelha direita, sendo o único caso de auto-mutilação seguido de dois auto-retratos conhecido entre os pintores.
BELL, Alexander Graham, escocês nascido em 1847, mudou-se para os E.U.A. em 1871, tendo fundado em Massachusetts uma escola preparatória para professores de surdos. Casou-se com uma D.A. (Mabel Hubbart), tendo feito esforços para a concepção de um aparelho amplificador elétrico, que resultou na invenção do telefone em março de 1876.
O personagem QUASÍMODO, o corcunda de Notre-Dame (de Victor Hugo), seria surdo pelo trauma constante a que se submetia ao se pendurar nas cordas dos sinos da catedral, ou pelas múltiplas malformações de que era portador, que poderiam também se manifestar a nível dos ossículos da orelha média.
DALI, Salvador (1904-1989) esculpiu a "Vênus Otorhinológica", exposta em museu de Rotterdam, para evocar a confusão dos sentidos (o nariz está onde deveria ser orelha, e vice-versa ).
A História também nos dá dados ao menos pitorescos quanto à audição e a poluição sonora: no século XVIII, em Berna, era proibida a circulação das carruagens após as 21 horas para que o silêncio não fosse interrompido. A Rainha Izabel I da Inglaterra proibiu que os maridos ingleses batessem em suas mulheres após as 22 horas, também em respeito ao silêncio! E atualmente, os shows de música chegam a apresentar intensidades superiores a 130 dB em locais próximos às caixas de som. Em nosso século, foi Helen KELLER talvez quem mais lutou pela causa do Deficiente Auditivo. Ela, portadora de deficiência auditiva e visual, escreveu certa feita: "Sou tão surda quanto cega. Os problemas da surdez são mais profundos e complexos, senão mais importantes que os da cegueira. A surdez representa desgraça muito pior, pois significa a perda do estímulo mais vital - o som da voz que nos traz a linguagem, que agita os pensamentos e permite que permaneçamos na companhia intelectual do homem. Se pudesse viver novamente, faria muito mais do que fiz pelos surdos. Descobri que a surdez é deficiência muito mais grave do que a cegueira". |